Por Ramalho Leite
Horácio
de Almeida Lima publicou foto na rede social dando conta de que estava
lotado o teatro Severino Cabral quando do seu espetáculo de contador de
histórias. Em Campina Grande foi mais feliz do que quando pretendeu
lançar um livro em Brasília e apenas sete convidados compareceram,
contando com duas crianças que gritavam no teatro vazio para ouvir o eco
da própria voz, conforme narra.Especialista em alterar os fatos
históricos e romanceá-los com novo cenário, desmente o Grito do Ipiranga
e o transporta para a margem do rio Curimataú, quando Dom Pedro teria
gritado para os portugueses do noutro lado da margem do rico seco: “Seus
filhos da puta! Agora quem manda nessa p. desse país sou eu.”E temendo o
facão do príncipe, correram todos os portugas “com o rabo entre as
pernas”...
Sua capacidade inventiva se supera quando
acorda pela madrugada na Fazenda Nazaré, em Cacimba de Dentro, e
vislumbra pela fresta da porta entreaberta, uma comitiva motorizada que
ultrapassa a porteira da fazenda. Seu pai, o velho Odilon, acossado pela
diabetes, se descuidara da porta quando saiu para se aliviar no
terreiro. A comitiva era precedida por duas lambretas com batedores,
seguidas por um jipão, um aero-willys e quatro rurais. Respeitosamente,
os demais veículos abriram passagem para o sedan que parou à porta da
casa grande do sitio, e dele emergiu um baixinho de bigode ridículo,
acompanhado de uma bela mulher: eram Hitler e Eva Braun. Ao saltarem,
já encontram seus asseclas de braços estendidos e gritando Hair Hitler.
Depois de encenar seu suicido, Hitler
teria rodado a esfera de um globo terrestre e nele enfiado uma caneta.O
local marcado foi a cidade de Cacimba de Dentro e para lá se dirigiu o
ditador nazista para curtir a derrota e esquecer, na cachaça, a sua
desgraça, pois nenhum remorso carregava por ter eliminado milhões de
judeus e provocado a morte de outras milhares de almas em todo o
mundo.Com esse histórico que somente o dono da casa conhecia, era certo
que o segredo desse exílio jamais seria revelado, para tranquilidade da
família Almeida e dos moradores daquela pequena cidade do curimataú.
Não preciso dizer que o fuhrer se fez
acompanhar dos seus principais colaboradores e, para acomodar a todos,
até a dependência da máquina forrageira foi ocupada. O anfitrião se
preocupava em manter a boa educação e o quarto do casal foi cedido. Os
visitantes, depois de algum tempo, imiscuíram-se entre os moradores da
cidade e se estabeleceram no comercio. Hitler foi o melhor verdureiro
que já passou por Cacimba de Dentro. Nas horas vagas, entregava-se à
cachaça Rainha e fazia belos discursos que ninguém entendia, mas gostava
de ouvir pelo timbre de voz impositivo e destacado, naqueles ermos
secos e desertos.
A convivência dos nazistas na Fazenda
Nazaré chegou ao seu final após uma discussão entre Rudolf Hess e
Goebbels, entendida pelo dono da casa, que, para evitar um mal maior,
expulsou Hitler e seus fieis seguidores. Acomodados pela vizinhança, os
asilados ganharam a confiança de muitos, e Hitler aprendeu até a cantar
embolada e a apreciar a vaquejada no parque de Juarez Almeida, irmão do
irreverente historiador às avessas. Eva Braun não teria aguentado as
carraspanas de Hitler e começou a frequentar outras camas. Grávida, teve
um filho cacimbense e até hoje, há controvérsias quando à identidade do
pai dessa criança. Hitler, segundo Horácio de Almeida, àquela altura,
além de cachaceiro, também virara corno.
Cariri Ligado
Nenhum comentário:
Postar um comentário