Para celebrar a data de nascimento do
Poeta Pinto do Monteiro, comemorada em 21 de Novembro, o Museu Histórico
Arnaldo Bezerra Lafayette estará promovendo uma programação que contará
com a exposição: Pinto do Monteiro - Um Cantador Sem Parelha.
A exposição foi iniciada nessa quinta, 21,
e será finalizada nesta sexta-feira, 22, na sede do Museu Histórico,
localizada na Rua Getúlio Vargas, centro, ao lado dos Correios, nos
horários das 08h00 às 11h30 e das 14h00 às 17h30, será aberta ao público
gratuitamente.
Pinto do Monteiro por ele mesmo:
No dia 11 de abril de 1983, às quatro
da tarde, na casa do poeta, em Sertânia, Pinto do Monteiro gravou
entrevista concedida a Djair de Almeida Freire, acompanhado do cantador
Gato Velho.
Eis os principais trechos, transcritos e editados por Maria Alice Amorim:
"Severino Lourenço da Silva Pinto
Monteiro, nasci em 1895, a 21 de novembro, a uma da madrugada, assim
dizia a velha minha mãe. Batizei-me a hum de janeiro de 1896, pelo Pe.
Manuel Ramos, na vila de Monteiro. Nasci na rua, mas morava em
Carnaubinha. Com sete anos de idade, em 1903, fui para a fazenda Feijão.
Saí de lá em 1916, 30 de junho. Meus avós eram da Itália, quando
chegaram por aqui se misturaram com sangue de português. Esse Monteiro é
parente dos Brito, eu sou parente dos Brito.
Com Antônio Marinho, eu nunca viajei
para canto nenhum. Fiz várias cantorias com ele. Quando eu andava por
aqui, cantava com ele. Quando eu morava em Vitória de Santo Antão, ele
mudou-se para Caruaru. Eu vim, cantei com ele, levei ele a Vitória.
Passou uma semana comigo. Lá, ele não andou mais. Levei ele uma vez ao
Recife. Não cantou, adoeceu. Eu cantei muito foi com João da
Catingueira, sobrinho de Inácio. Sete anos sem cantar com outro. Com
Lino, fiz poucas viagens. Com Joaquim Vitorino, eu viajei mais, mais, e
foi muito. Fui para Alagoas, Pernambuco, Recife, Piancó. Cantei com Zé
Gustavo, no Arruda. Assis Tenório, eu viajei coisinha pouca, somente
aqui, em Afogados. Cantei com ele em Pesqueira, Garanhuns, Caetés. Zé
Limeira, eu cantei muitas vezes com ele.
Zé Pretinho, só ouvi falar por aquela
história naquele folheto do cego Aderaldo, nunca conheci, acho que não
existiu. Cantei com Zé Pretinho, de Caruaru, que era da Serra Velha. Com
João Fabrício, que era também da Serra Velha. Com Aristo, também cantei
mais ele muitas vezes. Com Laranjinha, muitas vezes. Zé Agostinho,
barbeiro, cantei várias vezes. Agostinho Cajá, cantei mais ele muito,
viajei mais ele. Cantei mais no Recife. Muito no Derby, no Savoy, na
Câmara de Vereadores. Morei no Arruda trinta anos, rua das Moças.
Eu sou com Lourival como o gato com o
rato. Cantei com ele no dia 5 de fevereiro (1983 — a cantoria mais
recente à época), em Monteiro. Tinha Job, Zezé Lulu, João da Piaba,
Zequinha, Zé Palmeira, Edésio Vicente, Zé Jabitacá. Tinha somente os de
Monteiro e os de São José do Egito. Tinha Zé de Cazuza Nunes, que é
grande poeta. Tinha Manuel Filó. Tinha João Furiba, Zé Galdino. Numa
noite chuvosa, tinha mais de trezentas pessoas no clube.
Em certo lugar, chamado Boi Velho,
chegou Manoel Filó — grande poeta, porém não usava a poesia —, deu um
mote a mim e ao que estava cantando comigo: "O carão que cantava em meu
baixio / teve medo da seca e foi embora". Cantei:
Se em janeiro não houver trovoada /
fevereiro não tem sinal de chuva / não se vê a mudança da saúva /
carregando a família da morada / só se ouve do povo é a zuada / pai e
mãe, noivo e noiva, genro e nora / homem treme com fome, o filho chora /
se arruma e vão tudo para o Rio / O carão que cantava em meu baixio /
teve medo da seca e foi embora".
Cariri Ligado
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